Independência para quem?

A nossa independência se resumiu a um cara praticamente sozinho, no meio do mato, na beira de um rio miúdo, gritando sabe-se lá o que – afinal quem são as testemunhas -, que entrou nos anais da história como “Independência ou Morte”. Uma frase de efeito boa, embora nem boa o suficiente para a bandeira nacional, que diz o quê exatamente?

Independência para quem? Morte de quem?

Separou-se uma colônia de sua metrópole em crise para salvar o reino da própria família colonizadora. Ficamos independentes do pai sob o comando do filho. Ninguém morreu, porque ninguém lutou. E, se metade da frase é uma mentira, podemos supor com segurança que a outra metade também seja. Nunca ficamos independentes, e nunca deixamos de ser uma monarquia. Mudamos tudo de nome para iludir um povo ignorante, e mantivemos os mesmos esquemas de poder de sempre.

Uma pessoa representa o poder (REI ou PRESIDENTE, dá na mesma), mas na verdade é mais um títere de outras pessoas muito mais poderosas, que trocam a fama por luxo e dinheiro na Suíça. Enquanto isso, um bom tanto de outras pessoas (CORTE/CLASSE POLÍTICA) aproveitam desse poder para governar a si mesmos com todos os privilégios imagináveis, enquanto exploram uma classe trabalhadora por um salário mínimo miserável e irrisório, que não interfere substancialmente no seu lucro. Quando vêem que seus privilégios estão sob risco, tiram mais ainda de um povo que já não tem nada, com a desculpa de que: não há o suficiente para todos (entretanto seus salários, aposentadorias, auxílio paletó etc. se mantêm intactos). Parte desse governo se organizou no que chamamos de bancada para que consigam privilégios para um pequeno grupo de políticos, por exemplo, a bancada evangélica (CLERO) ou outras bancadas quaisquer que qualquer coisa que defendam uma coisa é certa: é ruim para a maioria.

A parte da sociedade que ainda consegue prosperar (CORTE/CLASSE MÉDIA ALTA) mesmo nesse cenário desfavorável – algumas vezes se aproveitando dele -,  teme perder o pouco privilégio que conquistou, e apoia com paneladas quem quer que seja para que possa ainda chafurdar, um pouco que seja, na lama que o povo chama de vida. E esse mesmo povo (POVO é POVO em qualquer esquema de governo) fica super feliz porque em plena quinta-feira eles não têm que trabalhar porque é feriado nacional, que dá pra emendar com o fim de semana. E por mais que matar um dia ou dois de trabalho pareça ínfimo demais para ser considerado privilégio, ele é privilégio comparativamente ao povão (SERVOS, que recebem sempre menos do que precisam para viver com dignidade) que sequer pode aproveitar o feriadão, mas tudo bem porque eles a mídia não mostra e a gente finge que não vê, enquanto eles monitoram as estradas, coletam o dinheiro de pedágio, limpam o chão, cozinham e servem nos restaurantes, ajudam no trânsito fechando as ruas para pedestres…

 

 

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Sobre Carol Borges

Publicitária formada e linguista em formação. Interessada em tudo o que é arte, assim, de maneira bem subjetiva mesmo.
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