Sou feminina e não feminista

Ser feminina é se reconhecer como a fêmea em uma comunidade bipartida – representada no outro extremo pelos homens, ser mulher. O feminismo é um alarde. Como todo -ismo é. E todo alarde tem fatos verídicos de um lado e sensacionalismo de outro.

Quando falamos das hierarquias falocráticas, dos estupros e assédios (os reais), do demérito nos menores salários; eles são fatos que podem ser confirmados por TODOS os elementos do conjunto MULHER. Agora, quando um homem flerta com você, quando ele assovia, quando te seca… Isso não incomoda ou ofende 100% das mulheres, não age homogênea e fatidicamente sob o nome assédio em todos os membros do grupo MULHER.

Você acha isso chato e desrespeitoso?

Tem mulheres que não, e não estou mentindo, elas até escrevem texto sobre isso e publicam!

Eu acho extremamente desrespeitoso fumantes fumarem e assoprarem suas fumaças entre mar de gentes – especialmente no infeliz de trás. Isso me incomoda, me ofende. Sim! É desrespeitoso e chato! Insuportável! Tenho mil palavras para a minha acusação, mas assédio não está entre elas.

Na verdade, considero que todo esse apontar de dedos, sentimento de inferioridade, incômodo insustentável, pânico, aflição, choro e vela é reflexo de não estar confortável na própria pele – ser mais feminista do que feminina -, e ter a incapacidade de lidar com o cigarro na cara e com o fiu-fiu do pedreiro.

E aquelas mulheres que se sentem bem depois de serem chamadas de gostosa na rua por qualquer um? Elas devem se recalcar? Elas não merecem respeito? Afinal, elas são tão mulheres quanto qualquer feminista.

Quando toda mulher começar a gritar lobo para qualquer cachorrinho, as pessoas vão deixar de acreditar que lobo existe, e aí, milhares de mulheres serão veladamente devoradas por lobos reais.

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Sobre Carol Borges

Publicitária formada e linguista em formação. Interessada em tudo o que é arte, assim, de maneira bem subjetiva mesmo.
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2 respostas para Sou feminina e não feminista

  1. Telma disse:

    https://www.youtube.com/watch?v=xgnj6wv3tfE Por gentileza, veja este vídeo da Marcia Tiburi.

    • Carol Borges disse:

      Telma, esse vídeo é bem interessante mesmo! Eu já tinha assistido, mas até assisti de novo.
      Eu discordo em muitos pontos (evidentemente não em todos) com o que diz a Márcia Tiburi, no sentido em que acho paradoxal lutar pela igualdade de direitos se posicionando como diferente (como uma feminista em oposição a um machista). A igualdade, para mim, será alcançada quando trabalharmos com as nossas semelhanças, e não o contrário. O ser humano em geral deve treinar olhar para o outro e aprender a respeitar, a vestir o sapato do outro.
      Diferentemente do que diz a Márcia nesse vídeo, as conquistas de direitos para as mulheres não ocorreu porque as mulheres se declararam feministas, mas porque elas agiram. Elas lutaram. Se tivessem feito isso sem se atribuir nenhum rótulo, a mesma conquista teria sido alcançada. Acho que tanto as mulheres quanto qualquer grupo que se sinta diminuído pela sociedade deve lutar pela mudança.
      Então eu te peço também que assista essa entrevista da Emma Watson com a Malala (que bom… luta pelos direitos da educação feminina como mencionou a Márcia, mas na atualidade): https://www.youtube.com/watch?v=NKckKStggSY. Note que quando interrogada sobre ser ou não feminista, ela pensa para responder, e responde que sim com uma condição: a de feminismo ser o mesmo que igualdade. Você pode assistir também o discurso da Emma Watson na ONU, que é interessante: https://www.youtube.com/watch?v=c9SUAcNlVQ4. Nesse evento, ela diz o quanto nos esquecemos dos direitos que os homens também perdem quando a sociedade nos trata como diferentes, por exemplo, poder ter uma participação mais ativa na criação dos filhos, com uma jornada mais curta de trabalho. Concordar com essa ideia não me permite concordar com o discurso como um todo. Não considero “feminismo” uma palavra representativa dos meus ideais, pois ela exclui o que está do outro lado dessa polaridade sexual, o homem. Para tentar explicar com clareza: o problema é que acredito que para conceituar a igualdade eu não preciso de outra palavra, igualdade me basta!

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