Sobre o trabalho

Eu não sei bem sobre o que escrever. Estou com diversos temas na cabeça há semanas e não consigo me organizar para escrever. E mesmo que não faltem idéias, se faltar a disciplina não há texto.

Algo que atrapalha também é a questão da obrigação, que parece sempre tirar o prazer. Para me comprometer com o meu prazer e garantir, pelo menos, algumas horas semanais dedicadas a ele, tornei-o um dever. E como qualquer pessoa, eu não fico satisfeita de maneira nenhuma.

O sentimento de realização ao escrever começou a se confundir com o desejo não ter mais uma obrigação, ainda que voluntária. Então, inventei uma doença para mim mesma e não fui trabalhar. Mas como o remorso foi grande e não sou uma boa mentirosa, decidi contar a verdade para mim mesma e escrever sobre isso.

Todos já devem ter ouvido a frase “Escolhe um trabalho que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”. Não vejo como isso pode ser verdade. Será que fazer todo dia o mesmo trabalho, mesmo que se ame, não é comparável a comer todos os dias a mesma comida?

Será possível um dia alguém ficar satisfeito com o próprio trabalho? Não reclamar do chefe? Não reclamar do salário? Fazer essas coisas é tão inerente à condição humana. Será que estar insatisfeito não é a única forma de melhorar? De buscar novas conquistas? E será que não é justamente esse desejo constante de ter algo que não temos que torna o ser humano tão diferente dos outros animais? Pois se alcançássemos a resignação e o contentamento plenos não teríamos mais pelo o que lutar.

Indo por esse caminho, seria possível dizer que se o homem trabalhasse com algo que ama o tempo todo e nunca se sentisse trabalhando, então ele nunca estaria insatisfeito, logo, esse trabalho o tornaria menos humano?

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Sobre Carol Borges

Publicitária formada e linguista em formação. Interessada em tudo o que é arte, assim, de maneira bem subjetiva mesmo.
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Uma resposta para Sobre o trabalho

  1. Isabel Hargrave disse:

    Há muitas coisas para refletir nesse quesito… Eu acredito que buscar um trabalho que se ame é essencial, mas que claro, ele sempre será um trabalho. Falo do meu caso: se meu trabalho é ser persquisadora, ótimo, adoro pesquisar e faria isso para sempre até de graça. Mas preciso comer, me manter etc, então para que me paguem para que eu pesquise, é preciso que eu chegue a conclusões, que publique trabalhos, e que procure sempre um tema novo, pesquise sempre uma coisa nova. Então é um trabalho de pesquisa, mas de alguma forma controlada externamente.
    Quanto à satisfação/insatisfação, também concordo que o homem nunca se satisfaz em tudo, busca sempre uma melhora em sua própria vida. Mas é o caráter dessa insatisfação e dessa melhora que precisam ser olhados. Há quem matenha sentimentos ruins perante sua vida – decepção, ódio, tédio etc – e há quem mantenha outros melhores – vê as coisas boas e gosta delas, mas quer sempre mudar, conhecer coisas novas, melhorar. E quanto ao caráter da melhora, há quem acredite que o mais importante é unicamente juntar dinheiro, sem outra finalidade na vida. Essa pessoas abrem mão de seus almoços, jantares, encontros com amigos e família, descanço no fim-de-semana em prol desse objetivo sem fim, acreditando estar atrás de uma melhora. E outros procuram balancear sua busca por dinheiro com os afazeres e bens que lhe dão prazer. Na minha opinião, essa é a verdadeira busca por uma vida melhor.

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