A magia da Copa do Mundo

Eu não gosto de futebol. Eu odeio quando o trânsito pára por causa de um jogo. Morro de raiva quando vejo alguém bravo ou rezando por causa de um time. Será que ninguém lembra que os jogadores estão ali ganhando milhões para ficar correndo atrás de uma bola? Quanta gente não paga para jogar em um campo com os amigos no final de semana?

Mas confesso que não entendo nada de futebol. Não sei o que é um impedimento, nunca descubro o nome do time pelas três letrinhas que aparecem ao lado do placar, não sei o nome dos jogadores, não sei o que significa estar na terceira divisão, não conheço os hinos e nem os uniformes.

E tenho também que confessar que não sabia que a Copa do Mundo era esse ano, não sabia qual dia ia começar e quando me disseram “vai ter Copa no Brasil em 2014” eu falei: ah! Sério? Que droga! Aumentaram o circo eleitoral de 2014.

Mas no dia do primeiro jogo do Brasil, nessa terça-feira, 15, eu vi uma cena que me fez repensar a Copa do Mundo. Eu valorizei o futebol e assumo que ele é culturalmente muito importante para os brasileiros. Representa mais do que um mero jogo de futebol, mais do que nacionalismo burro. Ele está envolvido por uma paixão mágica.

A cena que eu vi foi a seguinte: na frente de um barraco de papelão todo remendado, construído embaixo de uma ponte na Marginal Pinheiros, com roupas velhas penduradas em um varal de fio de eletricidade, uma criança magra vestida em trapos corria e pulava com uma bandeira do Brasil de plástico – dessas que dão de graça em posto de gasolina – toda feliz gritando “Brasil! Brasil!” em torcida.

Nesse momento eu pensei na vida triste que esse menininho e vários outros iguais a ele tinham. Nas refeições não-feitas. Na nas aulas da escola que perde todos os dias embaixo de sol e de chuva nos semáforos da cidade.  No frio que deve ter passado nesses últimos dias. Em todas as vontades teve: de um brinquedo, de um salgadinho, de uma roupa, de um tênis; vontades supérfluas para um adulto, mas que fazem toda a diferença na construção de uma infância. Isso sem contar a possível falta de carinho e educação dentro de casa, o provável contato com as drogas e com o crime e várias outras situações correntes na nossa sociedade.

E quando eu vi que essa criança era capaz de esquecer todas as mazelas do mundo por 90 minutos do seu dia, toda a Copa do Mundo valeu à pena. Até o trânsito em que eu estava parada já há 40 minutos valeu à pena. E eu também torci para que o Brasil ganhasse. Porque assim, por pelo menos mais alguns jogos e por mais algumas horas, as pessoas irão magicamente esquecer todas as suas tristezas.

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Sobre Carol Borges

Publicitária formada e linguista em formação. Interessada em tudo o que é arte, assim, de maneira bem subjetiva mesmo.
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Uma resposta para A magia da Copa do Mundo

  1. Linda disse:

    Tenés razón Carol, me hacés reflexionar con eso que contás, porque aquí en Argentina sucede lo mismo. Un abrazo

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