Identidade

Quando se está em um relacionamento – seja entre namorados, seja entre amigos – é necessário abrir mão de algumas coisas para alcançar uma convivência pacífica e feliz para todos os envolvidos. Com amigos, as concessões são mais banais, decide-se “onde vamos sair”, “o que vamos fazer” etc, amigos se comprometem menos e consequentemente se preocupam e brigam menos.

Em um relacionamento amoroso, no entanto, as coisas se complicam. Ao mesmo tempo em que há o desejo de permanecer juntos o máximo de tempo possível, também há a necessidade de manutenção dos antigos compromissos sociais e do trabalho. E o tempo livre – que  na atual jornada de trabalho – é pouco, fica cada vez mais restrito. As concessões e as exigências são maiores, o cuidado e o respeito nas decisões definem momentos de grandes alegrias ou de grandes tristezas.

E nessa brincadeira de abrir mão, o relacionamento só é saudável e justo quando ocorre na mesma proporção em ambos os lados. A consequência mais fácil e perigosa é a perda da identidade individual dos amantes. E a partir disso, ou ambos entram em completa sintonia e se tornam um só: os mesmos amigos, os mesmos programas, os mesmos assuntos (não tenho exemplos de relacionamento prolongado nessas condições). Ou o relacionamento se torna uma infernal busca pela identidade perdida, prejudicando a convivência harmoniosa e destruindo o respeito mútuo.

Uma vez que isso acontece, não sei o que se pode fazer para retomar o que era bom do amor. O que vejo é uma perda aparentemente permanente do respeito, traumas e aversões nos dois namorados. Cada um se fechando cada vez mais no seu próprio egoísmo com medo de perder qualquer coisa além do que já foi perdido. Perde-se a capacidade de compartilhar e negociar.

Realmente não tenho nenhum apontamento esperançoso para finalizar, uma vez que viagem no tempo não está disponível. Fica em aberto para comentários.

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Sobre Carol Borges

Publicitária formada e linguista em formação. Interessada em tudo o que é arte, assim, de maneira bem subjetiva mesmo.
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3 respostas para Identidade

  1. Linda disse:

    Entiendo lo que decís, pero es todo un proceso de búsquedas. Pasan años hasta que se llega a un acuerdo en el que cada uno mantiene su identidad y respeta y admira la de su pareja. No es fácil, hay momentos de crisis porque la vida no es una comedia americana pero el enriquecimiento es grande. Pienso que todos pasamos por esa pérdida creyendo que así se mantendría el amor, creo que hay que estar contenta de pasar esa crisis en especial en el noviazgo, antes de comprometer a otros seres como los hijos. Es una de las primeras pruebas, si no se la pasa, a seguir viviendo y aprendiendo.

  2. Rodrigo disse:

    Sim, a maioria se anula pra estar com alguém.
    Mas por que? Será que a pessoa se anula porque acha que a outra espera isso? Ou faz sem saber? Juntar as turmas de amigos, as opiniões, os gostos, é proposital ou uma consequência natural do relacionamento? Amizade vs. namoro…é claro que amizade será mais simples. Na vida há equilíbrio. Quanto menos arriscar e investir, menores serão os problemas, mas também menores serão os frutos. Vc disse que nunca teve um relacionamento prolongado com as condições “ideais”…não significa que não vai ter. Máquina do tempo? Viaje pro futuro…

  3. Isabel Hargrave disse:

    Bom, meu relacionamento não é lá muito, muito duradouro (não é aquela coisa, casamento de trinta anos), mas creio que até agora foi bem sucedido. E passou por alguns trancos e barrancos, especialmente nos primeiros anos. Primeiros 4 anos, por assim dizer. É preciso sempre fazer muitas concessões, mas também é bonito ver o outro abrir mão das coisas por você. E combinar os amigos, os programas e interesses também é um processo delicioso, quando dá certo. Agora, os conflitos sempre vão existir, em menor ou maior grau, e às vezes eles são incontornáveis, levando ao fim de um relacionamento. Mas outras vezes eles balançam, levam a segundos pensamentos, mas o tempo acaba tornando-os menores em relação aos benefícios que o relacionamento traz.
    Devo admitir que eu tive muita sorte no meu rlacionamento – sorte de encontrar mais afinidade que problemas logo de primeira – mas acho que vale a pena continuar procurando; e procurando uma amizade, acima de tudo. Uma amizade amorosa é o que eu acredito ser a melhor forma de relacionamento, em que o respeito e a admiração são talvez os pontos mais fortes.

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