Sobre o amor

Eu encontrei um amor real. Não era a versão adolescente e neurótica nem tampouco a versão casada e fria. Tinha paixão, compreensão, altruísmo e todos os sentimentos se estendiam ao infinito. E agora, esse amor todo é um amor para se esquecer.

Ele surgiu naturalmente entre dois grandes amigos. Cada um pegou uma grande porção de seu amor-próprio e de seu amor pela vida e ofereceu ao outro.  Sem medo do que poderiam perder, felizes em compartilhar e completamente entregues, podiam sentir a felicidade enorme que o outro sentia.

E agora que tudo terminou – e se terminou já não interessa o porquê -, fica a saudade e lembrança de tudo o que foi bom. A tristeza em lidar com o acaso do fim quando se tem certeza da eternidade do amor. E a gratidão por ter vivido intensa e verdadeiramente um sentimento tão raro e tão envolto em inseguranças.

Não sei dizer se esse sentimento se repete na vida.  Não sei se ele ocorre entre duas pessoas específicas ou se é uma atitude de envolvimento e as pessoas envolvidas podem ser quaisquer. Até que se encontre novamente esse amor, sempre será cedo demais para concluir. Pensar que seja possível vivenciá-lo de novo, acalma o espírito, mas pensar que não, dá a esse amor a verdadeira dimensão que ele tem.

O relacionamento que envolveu todo esse amor, não era um relacionamento perfeito, nem ideal, nem próximo a isso. Era um emaranhado de problemas, inseguranças, defeitos. O que o tornava tão especial era a simples vontade de estar junto apesar de tudo. A vontade de ajudar e ver bem quem se ama, mesmo que isso custe toda a sua energia e atenção.

Recolher a minha parte do amor toda para mim é tão doloroso quanto perder a parte do amor que me era dada. A ausência do ser amado representa uma ruptura interna, que hoje dói amargamente em saudade.

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Sobre Carol Borges

Publicitária formada e linguista em formação. Interessada em tudo o que é arte, assim, de maneira bem subjetiva mesmo.
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Uma resposta para Sobre o amor

  1. disse:

    É incrível como a dor pode se tornar mais bela que o próprio amor, de tão pura e genuída aos olhos de quem vê. Na pele de quem vive, não posso dizer. Mas agradeço por poder compartilhar com você.

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